Bem, como parte desse blog consiste em postar trabalhos relacionados a interfaces pra uma cadeira da faculdade (culpa dele), minha primeira revisão de interface vai ser de dois jogos batutas que já são extremamente velhos (tipo, mais que quatro anos de vida), mas que pra mim ainda são novidade, visto que na data de lançamento eles simplesmente não rodavam no meu computador. Ei-los:
Doom3:
Lançado em 2004, apesar do nome, Doom 3 na verdade se trata de um remake da série de First Person Shooter (FPS) Doom, simplesmente jogando fora toda a história do Doom original. O jogo se passa no ano de 2145 em Marte. Você é um space marine conhecido como…space marine. Recém transferido para a base de experimentos militares da Union Aerospace Corporation (UAC), que trabalha com Pesquisa e Desenvolvimento de armas, pesquisas biológicas e erm…teletransportes. Claro, o experimento de teletransporte infelizmente dá errado e abre um portal para o Inferno, provocando uma invasão de criaturas demoníacas de todos os tipos, tamanhos e gostos. É aquela velha história: Se você sai de casa sem guarda-chuva, lógico que vai chover. Você chega na base de pesquisa militar suspeita em Marte que trabalha com teleportes, lógico que o experimento vai abrir um portal para o Inferno. Seu objetivo no jogo é sobreviver aos demônios e funcionários possessos pelo capeta com a ajuda das armas mais banais até as armas mais tecnológicas e pôr um fim ao portal para o Inferno. Simples assim.
Call of Cthulhu – Dark Corners of the Earth:
Lançado em 2005, Call of Cthulhu – Dark Corners of the Earth (CoC) foi produzido pela Bethesda Softworks como um jogo de survival horror/first person adventure que tem como base todo o Cthulhu Mythos, criado pelo escritor Howard Phillips Lovecraft. Em CoC, você encarna na pele de Jack Walters, detetive policial em 1920. Ele possui certa facilidade para resolver casos onde se apresentam pouca ou nehuma evidência. Durante um chamado noturno pela polícia de Boston, envolvendo um distúrbio causado por alguns cultistas, Jack se depara com criaturas além de sua compreensão que o deixam mentalmente abalado, o deixando aparentemente insano e com dupla personalidade. Internado no hospital psiquiátrico Asilo Arkham durante 6 anos, sua segunda personalidade aparentemente desaparece e Jack retoma duas atividades como detetive freelancer. Após receber um contato misterioso sobre um incidente ocorrido na pacata cidade de Innsmouth, Jack começa a se reencontrar com o passado que o atormente e sua sanidade está novamente por um fio.
Jogabilidade:
Apesar de serem dois jogos em primeira pessoa e serem jogos com um toque de horror, ou seja, ambientação escura, inimigos horrendos e muitos sustos duranto o jogo, CoC e Doom3 apresentam diferenças sensíveis na jogabilidade. Doom3, como um bom FPS, possui um HUD (Head Up Display) muito instrutivo e que auxilia na jogabilidade. A HUD de Doom3 conta com os seguintes itens
1. Mira da arma;
2. Armadura/Proteção e quantidade;
3. Nível de saúde do personagem;
4. Local onde o personagem está. Como se fosse um GPS dentro da base;
5. Munição dentro da arma;
6. Munição total sendo carregada. Essas duas marcações variam de arma para arma, mas geralmente são inseridas nessa posição, quando a própria arma não carrega um display consigo;
7. Armas e itens disponíveis. Não indica nomes, mas a pequena luz acesa indiga qual arma o personagem está utilizando;
Já no Call of Cthulhu, a coisa é levemente diferente, como vocês podem ver aqui:

Como aparece na tela, a mira fica…eh, bem, não tem mira…e o nível de saúde fica…hum, também não…ah! mas a proteção…é, não tem também…Mas vocês podem ver que a quantidade de munição fica… Pois é. Diferente da maioria dos FPS, CoC não tem HUD. Isso se aplica ao sistema de mira também. Ambos os jogos utilizam a opção de mirar com a arma, garantindo mais precisão para tiros mais letais. Doom3 ainda utiliza o HUD, mas em CoC você mira no olho mesmo, utilizando as técnicas de mirar da própria arma. Desnecessário dizer que isso dá um trabalho danado. Se você mirar tempo demais, Jack se cansa e você é obrigado a soltar a posição de mira.

Em Doom3, o jogador tem acesso a equipamentos médicos de alta tencnologia. Pode procurar cabines de cura que aplicarão os medicamentos necessários, ou encontrar Helath Packs pelo caminho que deixarão o space marine em 100%. Se sua saúde estiver muito baixa, uma barra amarelada aparecerá em torno do medidor de saúde e armadura, indicando que você precisa de cuidados.
Em CoC o nível de saúde (e sanidade) é controlado pelas sensações do personagem. Você sabe que está apanhando, mas não é uma porcentagem que te mostra isso. Dentro do Iventário aparece o quão mal seu personagem está, enquanto fora dele você experimenta senações como audição abafada, respiração pesada, perda de cor na visão, vertigens, essas coisas. Para remediar isso, você tem acesso a boa e velha medicina dos anos 30, podendo aplicar suturas, bandagens, talas, antídotos para venenos e até a boa e velha injeção de morfina. Mas cuidado! Ela vai afetar drasticamente seus sentidos! Você aplica os tratamentos nas áreas marcadas em vermelho, dentro do seu inventário, ou pode usar o atalho do quick heal. A medicação toma muito tempo, portanto esconda-se bem ou os inimigos podem te achar!
Outro dado curioso é que, se você não tratar logo de seus ferimentos mais sérios, Jack Walters pode morrer de hemorragias internas.
Ambos os jogos possuem missões em paralelo a serem cumpridas antes do objetivo final, e contam com quebra-cabeças para serem desvendados. Em Doom3, você tem um PDA que guarda suas informações e pode fazer o download de outros PDAs. Isso se torna muito útil na hora de achar munição extra, encontrar passagens e descobrir mais sobre a história do jogo. Cada nova entrada no aparelho é mostrada iluminada, enquanto entradas antigas aparecem escurecidas. O PDA também mostra a variedade do seu arsenal atual.
Em CoC, Jack Walters carrega seu fiel diário consigo. Ele está disponível dentro do Inventário, que também traz consigo o número de munições disponíveis no momento (tavam procurando né? reparem na escassez), itens diversos que colaboram durante o jogo e os já citados medicamentos.
As entradas são divididas em três partes. O Diário de Jack Walters, coleta de evidências e os Tomos Míticos e Manuscritos. Dentro de cada parte existem mais evicências como livros de ordens secretas, matérias de jornais e até diários de outros personagens do jogo. Quando você terminou de ler todas as novas entradas, o ícone do diário aparece esmaecido.
Interação com o cenário:
Outro ponto divergente dentro dos jogos é a interação com o cenário. Em Doom3 os meios dessa interação são mais sofisticados. Como em um bom jogo futurista, existe uma diversidade de painéis e alguns podem ser acessados. Notamos uma mudança na interface quando nos aproximamos em um painel interativo com a mira assumindo o papel de um mouse. Existem muito mais elementos interativos dentro do cenário de Doom3 do que em CoC. Além de telas de computador, contamos com barris explosivos, chapas de vidro quebraveis, tudo para melhorar sua experiência destrutiva.
Call of Cthulhu conta com elementos mais estratégicos do cenário para dar mais emoção a jogabilidade. Você pode trancar portas com suas trancas ou empurrar objetos para obstruí-las. Também é possível quebrar certas trancas e cadeados com as armas disponíveis, ganhando acesso a locais obstruídos.
Curiosidade:
Apesar de todo o realismo e tensão embutido em Call of Cthulhu, ao contrário de Doom3, onde você atira e os cadáveres ficam no cenário, em CoC eles possuem a mania de desaparecer, algo como um inimigo auto-limpante
Doom3:
CoC:
Enfim:
Todo esse ‘breve’ post só para mostrar como se pode variar dentro de uma mesma categoria. Claro que esses são dois extremos. Doom3 segue arduamente os passos de um PFS, enquanto CoC inova nesses em vários aspectos, talvez por não levar uma franquia nas costas e possuir uma ‘licença poética’ de forma a melhor traduzir as histórias fantásticas de Lovecraft em um jogo. Por essas diferenças, jogar CoC é uma experiência mais emocionante que Doom3. Doom3 quer te assustar em um momento surpresa, com monstros saindo do escuro e armadilhas afins. Call of Cthulhu não te assusta às vezes, mas sim SEMPRE! Fugir e se esconder é sempre uma boa opção dentro do jogo. Seu cérebro vai te salvar mais vezes que a sua arma. De possível, joguem os dois! Se não, confiram gameplays no youtube para ter mais uma idéia de como são os jogos.