Eu sempre tive uma certa revolta com a Apple. Nunca gostei da arquitetura fechada, nunca gostei das afetações do iOS, sempre questionei a postura de uma impresa cujo slogan era (ou ainda é?) Think Different e que possui uma legião de acéfalos idolatrando a companhia e, veja você, apenas aceitando e consumindo sem questionar os produtos da maçã com seu mantra “Se é da Apple é bom mimimi”. Sempre achei questionável a dita empresa chacotear o bom e velho Windows e seus problemas, quando sua própria plataforma tem os seus problemas, e mesmo assim os amigos do Think Different não fizeram nada de diferente, nada inovador no que se diz respeito a propaganda.
Mas certa feita, a minha ira se aplacou quando eu descobri que meu maior ódio não era direcionado a empresa, mas ao seu séquito afetado, conhecidos como Appletards ou Macfags, você escolhe. O problema nunca é das coisas, é sempre das pessoas. A partir daí eu consegui discriminar um real sentido por trás de eu não possuir nenhum produto da Apple: simplesmente nenhum me servia. E assim foi até o presente momento. Assim que o iPod Touch novo saiu e recebeu sua pequena câmera, eu achei que esse pequeno utensílio me seria assaz útil. Um amigo (mais uma vez, muito obrigado! /o/) ia se divertir na terra da liberdade e não se importou em trazer o brinquedinho pra mim escondido entre um que outro pacote de 1kg de M&M’s.
Por que um iPod Touch?
O iPod Touch 4 é o meu primeiro gadget de verdade. Não vou contar meus celulares, pois eles, são telefones ainda, e fazem o que os telefones foram feitos pra fazer: discar pras pessoas. Eu sempre quis ter um smartphone para usufruir das benécies da tecnologia móvel, mas confesso que algumas coisas sempre me incomodaram em ter um smart: o custo de um aparelho decente, viver no Brasil e autonomia.
Ter um smartphone não significa apenas comprar um celular muito muito caro, mas também significa mantê-lo. Não tenho condições ainda ou saco para fazer um plano fidelidade de 1 ou 2 anos para pegar um celular top e ficar pagando conta mais plano de dados, até porque a gente nunca sabe quando o celular vai ser roubado da gente, mazelas de se viver em um país como o Brasil e uma grande frescura de minha parte, eu concordo, mas é um medo incômodo que não consegui me livrar. Além do mais, o celular precisa estar pronto para funcionar. Não gostaria de consumir a bateria do meu telefone com besteiras, e numa eventualidade esquecer recarregá-lo e ficar andando com um tijolo no bolso.
Por esses motivos, ter um dispositivo ‘smart’ separado do meu telefone caia muito bem na minha idéia. É algo que pode ir na mochila, não precisa nem sair de casa todos os dias, e não possui custos de manutenção muito grandes. Queria uma câmera de bolso simples para tirar fotos rápidas das coisas que eu encontro na rua, e a câmera do Touch 4 me parece suficiente. Não, amigos, não quero ganhar prêmios de fotojornalismo com elas, só quero fotografar o que me interessa enquanto estiver na rua, e não mais pensar devia ter trazido a minha câmera’. Além disso, a possibilidade de rodar aplicativos diversos também agrada, e os jogos disponíveis na App Store torna o iPod Touch meu primeiro console portátil. Como não existe nada com Android feito nessa linha, o que eu vejo como miopia de mercado, sobrou o iPod Touch.
Um iPod Touch não é o meu computador
Eu não gosto do iOS. Um iMac ou Macbook não me serve como um computador. Aliás, acho que ninguém chama o Macbook de computador porque ele não é um computador de verdade. Gosto do meu computador, gosto dele rodando Windows, gosto de poder instalar o que eu quiser, gosto de abrir meu computador e colocar novos componentes. Agora, nunca sustentei ilusão de modificar hardware ou software, muito menos de portáteis ou celulares (como o meu, que não tem nada pra modificar ou instalar). Um portátil é fechado por natureza, não há o que mexer em hardware, tampouco em software. As modificações nesse nível são acionáveis e scriptáveis e estão prontas na interwebs afora, o que é ainda mais perigoso. Para não queimar meu dinheiro fora, não pretendo fazer jailbreak no Touch. Como um dispositivo desses não interfere diretamente com o meu dia-a-dia, teoricamente, e não interfere com as demais tecnologias que uso, ele pode ser esse poço de nojentisse isoladamente, sem contaminar meu PC, que continua sendo um bom e velho PC.
Por enquanto, estou satisfeito com a compra. É um brinquedo e é divertido. Apesar de não ter feito conta na iTunes Store ainda, porque pretendo fazer na loja americana (só porque eu não vou fazer jailbreak não quer dizer que eu vou seguir toodas as regras…), então por enquanto ele é só um mp4 metido à besta. Tá, ele sempre vai ser isso. Mas pelo menos estou satisfeito até o momento. Caso esse quadro mude, como o valor é alto, é bem tranquilo de passar o produto adiante, e ainda com um retorno relativo. Espero voltar aqui escrevendo impressões sobre o aparelho e o que mudou com a sua chegada.
